A Minha Jornada aos 41 Anos: Como a Menopausa Me Transformou
Aos 41 anos, a minha vida mudou completamente. Não foi uma mudança planeada, nem uma decisão tomada de forma racional. Foi um despertar profundo, uma transformação que começou no corpo mas que rapidamente se espalhou para todas as áreas da minha existência. Hoje, olho para trás e percebo que a menopausa não foi apenas uma transição hormonal — foi o maior insight da minha vida.
O Ponto de Viragem
Eu acho que a vida nos traz direções e nós decidimos se queremos ter os insights ou não, de uma forma quase orgânica. Para mim, associo à menopausa este grande insight. Aos 41 anos, decidi mudar a minha vida completamente. Decidi criar uma vida limpa de qualquer substância, decidi que não ia beber ou usar qualquer tipo de drogas.
Acho engraçado que aquelas pessoas que têm a vida "nim", às vezes não têm insights radicais. Por outro lado, acho que as pessoas de excessos, quando decidem fazer alguma coisa da vida, fazem com uma determinação incrível. E isso dedico a mim mesma porque acho que foi o que eu fiz.
Nessa altura, decidi mudar de emprego, decidi separar-me, viver sozinha e, mais que tudo, estabelecer uma relação saudável com o meu pai, com quem eu tive sempre muitas dificuldades. Por isso é que eu acho que para mim foi muito importante a menopausa.
Os Desafios que Ninguém Me Preparou Para Enfrentar
Eu tive grandes triggers emocionais. Tinha os desafios da carreira, tinha os desafios pessoais e emocionais e, ao mesmo tempo, tive que ser a adulta e a pessoa que cuidava da minha família. Isto trouxe desafios enormes. E ao mesmo tempo eu tinha que acreditar em mim quando eu estava completamente desacreditada.
Foi nesta altura que, precisamente, comecei com episódios de esquecimento, falta de sono, incapacidade de me equilibrar emocionalmente. Costumava pensar: "eu só quero conseguir voltar a ser a Cláudia que eu era".
Os Sintomas que Não Reconheci
Os sintomas da menopausa manifestam-se de formas muito variadas. No meu caso, não foram os clássicos afrontamentos que me alertaram primeiro. Foram as alterações cognitivas e emocionais que me deixaram completamente perdida:
- —Esquecimentos frequentes: Perdia o fio à meada no meio de conversas, esquecia-me de compromissos importantes
- —Insónias persistentes: Noites intermináveis a olhar para o teto, incapaz de desligar a mente
- —Desregulação emocional: Oscilações de humor que me faziam sentir que estava a perder o controlo
- —Fadiga constante: Uma exaustão que o sono não resolvia
Mas ninguém me tinha preparado para isto. Ninguém me tinha dito que a menopausa podia afetar a minha mente tanto quanto o meu corpo.
A Revelação: Uma Nova Cláudia Estava a Nascer
E era isso que eu não sabia que estava a acontecer — que era a menopausa que me estava a dar uma nova Cláudia. Então, em vez de solucionar as coisas adaptada à nova Cláudia, eu solucionava-as à forma da Cláudia antiga.
Só quando eu comecei a perceber realmente que o que estava a acontecer era do impacto das minhas hormonas no meu corpo é que eu disse: "Epá, espera lá, eu posso fazer aqui alguma coisa disto, posso explorar."
"Quando finalmente compreendi que os meus sintomas não eram sinais de fraqueza ou falha pessoal, mas sim manifestações de uma transição hormonal natural, tudo mudou."
A Transformação: Escolher Mudar de Vida
Para mim, a menopausa foi um insight porque eu fiz escolhas boas. Porque é possível mudar de vida. Porque, como muito, é um momento de recomeço.
As Decisões que Tomei
1. Limpeza de Substâncias
Eliminei álcool e qualquer substância que alterasse o meu estado natural. Precisava de clareza mental, precisava de sentir o meu corpo sem interferências externas. Esta decisão não foi fácil, mas foi libertadora.
2. Mudança Profissional
Saí de um emprego que me drenou emocionalmente e procurei algo que estivesse mais alinhado com quem eu estava a tornar-me. O trabalho ocupa grande parte das nossas vidas — tinha que ser algo que me nutrisse, não que me esgotasse.
3. Reconstrução de Relações
Estabelecer uma relação saudável com o meu pai foi talvez o trabalho mais difícil e mais recompensador. Aprendi que curar relações antigas é parte de curar a nós mesmas.
4. Aprender a Viver Sozinha
Pela primeira vez, vivi sozinha. Aprendi a estar comigo mesma, a gostar da minha própria companhia, a não precisar de validação externa para me sentir completa.
Uma Mensagem Para Ti
Se estás a ler isto e a reconhecer-te na minha história, quero que saibas: está tudo bem. Os esquecimentos, a insónia, as oscilações de humor, a sensação de que perdeste a pessoa que eras — tudo isto faz parte de uma transição natural.
Mas também quero que saibas: não tens que passar por isto sozinha. Não tens que aceitar passivamente os sintomas. Não tens que conformar-te com uma versão diminuída de ti mesma.
A menopausa pode ser — e eu acredito firmemente que deve ser — um momento de renascimento. Um momento em que finalmente te permites ser quem sempre quiseste ser, sem desculpas, sem justificações.
Aos 41 anos, a menopausa transformou-me. Não foi fácil. Houve dias muito difíceis. Mas hoje, aos 46 anos, posso dizer com toda a certeza: foi o melhor que me podia ter acontecido.
Sobre a Autora
Cláudia Barros é uma mulher que transformou a sua experiência com a menopausa numa missão de apoio a outras mulheres. Aos 41 anos, viveu uma transformação profunda que a levou a dedicar-se ao estudo da saúde hormonal feminina, nutrição, exercício e saúde mental.
Contacto: [email protected]
Instagram: @claudiavintagegirl
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